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Ricardo Eletro

Oportunidade, é melhor não desperdiçar para depois não se apoquentar


O cidadão deve ser informado, ativo, exigente e participativo. Além dos direitos, este, deve lembrar também que existem deveres. O papel do cidadão talvez seja o mais importante de todos os deveres, pois o seu conjunto tem o poder de escolher o tipo de sociedade em que pretende viver, determinando as obrigações das suas principais instituições e representantes.
Não seria necessário, neste momento, lembrar das importantes conquistas influenciadas a partir da mobilização popular em nosso país. O fim da ditadura militar, diretas já, impeachment e ficha limpa, que os digam.
A participação dos meios de comunicação, além do papel de formadores de opinião, é fundamental, principalmente por transmitir e discutir direitos e deveres, informando responsavelmente o que deve realmente ser absorvido. A partir deste conceito, é inconcebível que profissionais de imprensa desperdicem oportunidades de contribuir com a construção de uma sociedade igualitária e conhecente.
Como exemplo de ‘comunicação de consciência’, é impossível não se lembrar da história do beija-flor, que na sua fragilidade, na sua singela figura, voava até ao lago e, com o seu pequenino bico, recolhia, uma a uma, lenta mas persistentemente, gotinhas de água, que ia depois deixando cair sobre o incêndio que destruía uma floresta; quando um outro animal, observando intrigado o seu comportamento, interrompeu a sua fuga e perguntou se o beija-flor, estava louco. Porque te arriscas assim? Tu acha verdadeiramente que vai conseguir apagar o incêndio dessa forma? O beija-flor respondeu então: - Não… claro que não, eu sei que o meu pequeno esforço não será suficiente para apagar este incêndio tão grande mas… eu estou apenas… fazendo minha parte!
Claro que o beija-flor não ia conseguir apagar o incêndio sozinho, mas a sua iniciativa de tentar apagar poderia influenciar todos os demais bichos da floresta a ajudar a acabar com o fogo. E a floresta, casa de todos eles, poderia ser salva. Que os seres humanos acreditem nesta mesma teoria e tentem apagar o fogo daquilo que lhes incomoda e mudem o modo de ver a vida e o meio na qual vive, não tolerando as injustiças sociais.
Recorrendo à história - A palavra tolerância provém do latim tolerantia, que por sua vez procede de tolero, e significa suportar um peso ou a constância em suportar algo. Segundo o filósofo espanhol, Fernando Savater, “a tolerância é uma norma para viver em democracia”. Para a francesa Julie Saada-Gendron, a tolerância “implica o respeito pelo outro e não a aceitação das suas opiniões”. Para Tomás de Aquino, conhecido como o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios, a tolerância é apenas uma atitude de transição para o acesso desejável a valores superiores. Por tanto, eleitoralmente falando, tolerar nada mais é que o intervalo que se tem para se corrigir o erro não premeditado.

Gervásio Lima – Jornalista e historiador

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