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Ricardo Eletro

Os madibas* da vida

A morte de celebridades, artistas e atletas em suas mais diversas áreas, políticos, milionários e até mesmo bandidos, acusados pela prática dos mais diversos crimes e, ou, até aqueles que passaram a ser conhecidos através da exposição midiática na chamada grande mídia; é motivo de grande comoção e revolta, mas nem sempre por sua biografia humana.
Acontecimentos tristes ou alegres devem servir de motivos para reflexão, no sentido de aprimoramento, correção, aceitação e exemplo para atos individuais e coletivos. Lições precisam ser tiradas das boas e das más ações. O respeito pelo próximo já seria o mínimo que o ser humano deveria ter como uma das suas prioridades de vida. As demais qualidades são consequência de humanização.
De forma honrosa e não menos triste que outros fins, o mundo recebe a notícia da morte de Nelson Mandela, aos 95 anos de idade. Líder histórico da África do Sul, considerado o fundador da democracia no país, por lutar contra o apartheid (vidas separadas), regime segregacionista que negava aos negros os direitos sociais, econômicos e políticos. Embora a maioria da população fosse constituída de negros, a segregação vinha se mantendo na África do Sul desde o século 17, época em que a região foi colonizada por ingleses e holandeses. O governo era controlado pelos brancos, que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos.
Preso por mais de 27 anos (1964 a 1990), Madiba, como também era chamado o líder africano, foi considerado o maior criminoso do país. Três anos após obter a liberdade, o pai da luta contra o apartheid recebeu o Prêmio Nobel da Paz; e no ano seguinte foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.
Considerado um ícone da luta contra o segregacionismo racial e da paz mundial, é atribuído à sua história, diversos acontecimentos no mundo, inclusive a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América (EUA) e do primeiro presidente ex-operário, no Brasil. A defesa da igualdade e as ações junto a organizações sociais e direitos humanos repercutiram e continuam repercutindo no modo de ver o mundo e a vida por populações de vários países.
Conforme Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), ‘os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição’. Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação. Mas, infelizmente, merecer, não necessariamente é ter ou poder. Que bons exemplos sirvam, de verdade, como um norte para administradores e gestores em todas as esferas governamentais.
Voltando à celebridade, e com o mesmo sentimento de dor pela morte de Nelson Mandela, externo minhas condolências à família do não tão conhecido pedreiro jacobinense Edson, morto em consequência da silicose, doença adquirida após sua passagem por uma empresa de mineração. Trabalhador, pai de família e, principalmente um lutador, este foi o Edson, que dentro das suas proporções, deixa um grande exemplo como um ser humano que soube viver e fazer amigos, sempre com alegria e o peculiar sorriso no rosto.
Ao pedreiro Edson e ao líder Mandela, muito obrigado pelas contribuições. Bom descanso.

Gervásio Lima.
Jornalista e historiador.

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