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Ricardo Eletro

Insensatez pública

O Poder Executivo Municipal promover ou apoiar financeiramente comemorações religiosas, culturais, esportivas, cívicas e de outras naturezas é absolutamente normal, um importante instrumento para se valorizar as diversas manifestações artísticas e tradicionais.
Gastar dinheiro público sem necessidade é uma demonstração de insensatez e irresponsabilidade, principalmente quando o gasto é realizado para satisfazer apenas ao ego, à vaidades pessoais, e não para se resolver uma situação de ordem e necessidade pública. A situação vivida pela quase que totalidade dos municípios baianos é de desespero financeiro. A histórica estiagem que dizimou a agropecuária de mais da metade das cidades baianas trouxe, além do desalento, um prejuízo social nunca visto pelos que vivem no, e do campo.
Além de serem os principais agentes geradores de receitas da maioria dos municípios brasileiros, os poderes executivos municipais são também os maiores empregadores. Em muitos lugares as receitas recebidas através de repasses estaduais e federal não raramente são suficientes para pagar o salário dos servidores e as contas junto a alguns desajuizados fornecedores.
Que os municípios passam por grandes dificuldades financeiras muita gente sabe, seja através dos órgãos representativos ou até mesmo pela choradeira cotidiana dos gestores, mas o que muita gente não sabe e que com certeza morre de curiosidade para saber, é como se consegue realizar grandes eventos festivos, gastando um ”tri bi” de dinheiro público, enquanto a população é cerceada de direitos fundamentais como o acesso à saúde, à educação de qualidade, entre outros.
Prefeitos de cidades que não conseguem resolver problemas elementares insistem em usar o erário público como extensão de suas economias pessoais; e o pior, escancaradamente, inclusive com o apoio de atores midiáticos, preocupados também com os benefícios e vantagens que por ventura venham a receber.
A penúria e o sofrimento das populações, muitas com características sadomasoquistas, não são observados. Mesmo sem atendimento médico-hospitalar adequado, sem infraestrutura mínima necessária, sem investimentos humanos e sociais, o povo, potencial “botador e tirador” de bons e maus políticos no poder, sobrevive sempre na esperança de dias melhores.
Realizar festa com o dinheiro que deveria ser do povo ou para o povo é crime, incoerência e ato de cinismo. Apoiar tal gasto é tudo isso e mais um pouco.
Forte é o povo!

Gervásio Lima
Jornalista e historiador

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