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Ricardo Eletro

Cidade de Salvador

O gótico e o lúdico

Que a cidade de Salvador é uma terra de alegria, de magia e um dos destinos turísticos mais visitados do Brasil por turistas dos mais diversos lugares do planeta, todo mundo, ou quase todo mundo, sabe. Que o município que possui apenas pouco mais de 700 quilômetros quadrados, uma população estimada em cerca de 3 milhões de habitantes, sendo o município mais populoso do Nordeste, o terceiro mais populoso do Brasil e o oitavo mais populoso da América Latina, foi a primeira sede da administração colonial portuguesa do Brasil (até 1763) e a cidade é uma das mais antigas da América, provavelmente quase ninguém sabia.
Com características singulares, principalmente no que diz respeito às arquiteturas dos antigos casarões e das 372 igrejas católicas construídas com os seus mais diversos estilos, que vão do barroco ao neogótico, à cultura e aos costumes herdados dos antepassados, os seus mais de 50 quilômetros de praia... , Salvador, detentora da maior festa popular do mundo, o Carnaval, oferece ainda outras incontáveis atrações turísticas.
A cidade é conhecida ainda como a “capital cultural do país”, berço de grandes nomes no cenário artístico, com destaque mundial. Como disse Caetano Veloso, “Salvador é uma cidade grande”, ao referir à sua grandeza artística, cultural e de relevantes bens materiais e imateriais.
Mas, como qualquer outro aglomerado urbano, a cidade de Salvador sofre com uma série de problemas, infelizmente, comuns nos grandes centros. A mobilidade e a violência lideram o ranking dos maiores problemas, mas a capital da Bahia sofre, e muito, também com a desigualdade social, o turismo sexual, desemprego e o crescimento desordenado (a favelização). A cidade possui a nona maior concentração de favelas entre os municípios do Brasil com 99 favelas.
Não muito diferente de pequenos municípios do interior baiano, a maior cidade do Estado precisa melhorar em diversos aspectos essenciais, como atender satisfatoriamente as necessidades básicas da sua população e dos visitantes. Para um lugar que sediará jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, muita coisa precisa mudar ou ser corrigida. Serviços como uma simples entrega de pizza em domicílio não funciona após às 23 horas. Outro ‘deus nos acuda’ é precisar de transporte público após este horário. A cidade literalmente para.
O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de Desenvolvimento urbano, servindo para nortear a ação dos agentes públicos e privados, não existe ainda na cidade que completou este ano, 265 anos de fundação.
Falta de planejamento e responsabilidade social, dois itens que justificam o estado de penúria que se encontra Salvador. Falácias políticas de gestores municipais sempre predominaram, em detrimento de ações reais e concretas.
As intervenções, já notáveis, realizadas pelo governo do Estado na infraestrutura da cidade, com construções de viadutos, duplicações de vias e construções de novos corredores de tráfegos são, talvez, as maiores obras que Salvador recebeu nos últimos 40 anos.


Gervásio Lima - Jornalista e historiador

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