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Ricardo Eletro

BARRAGENS DE JACOBINA: O RETRATO DE UMA CRISE.





Durante a tarde desta terça-feira, 03, estivemos visitando na companhia de Augusto César,  Gerente da EMBASA em Jacobina e do colega de imprensa Arnaldo Silva, as barragens que abastecem o município de Jacobina e o que pudemos observar não foi nada animador. Constatamos que, se não chover no município em um curto espaço de tempo, a população pode vir a sofrer ainda mais com o desabastecimento de água. 

Primeiro estivemos na barragem do Rio do Ouro, no Parque da Macaqueia, onde a imagem é assustadora. Simplesmente não existe mais água.


 Apesar de ser uma barragem de nível, sem muita profundidade, em situação normal ela contribui com uma vasão de 28 litros por segundo com o abastecimento de água do município, mas atualmente a vasão não chega a 10. E para piorar a situação, vândalos constantemente obstruem a passagem de água para que o nível da barragem suba e eles possam usá-la como piscina .


Em seguida estivemos na Barragem do Itapicuruzinho, onde a situação também não é animadora. Com capacidade de 2.750.000 metros cúbicos de água e vasão de 130 litros por segundo em situação normal, hoje a vasão varia entre 37 a 40 litros. A primeira vista o reservatório dá a impressão de que ainda possui um boa reserva de água , mas segundo Augusto, a imagem não reflete a realidade da situação. Segundo ele , a maior parte do espelho de água da barragem tem uma profundidade que varia entre 30 a 50 centímetros.

 


Lado oposto da barragem: toda esta área seca faz parte do reservatório


Em condições normais, este ponto da 
barragem tem mais de 3 metros de profundidade

Três das quatro réguas de medição do reservatório, que tem cerca de seis metros, já estão fora d'água. O reservatório hoje está com cerca de 16 a 18 % de sua capacidade de armazenamento e se alguém quisesse, comenta Augusto,  poderia atravessar a maior parte lâmina d'água a pé. Ainda segundo ele, a barragem só não secou totalmente ainda porquê a vasão foi bastante reduzida. 


Mulher anda tranquilamente onde 
a profundidade passaria dos 3 metros.

Logo após fomos a barragem do Cuia, de propriedade da Yamana Gold, que vem contribuindo com o abastecimento de água do município desde a semana passada. Lá o volume das águas ainda é considerável, mas já há indícios de que o nível do reservatório vem baixado gradativa e rapidamente. 


Flutuador da bomba já nas pedras da barragem do Cuia.

Um sinal evidente disso foi que, ao chegarmos, o gerente da EMBASA percebeu que o flutuador da bomba responsável por levar a água para a tubulação da rede estava estacionado nas pedras da barragem. Com capacidade de aproximadamente 1.500.000  metros cúbicos de água a barragem vem contribuindo com cerca de 27 litros por segundo de vasão que estão sendo imprescindíveis para que o fornecimento  de água de Jacobina seja mantido de forma a minimizar ao máximo o período de falta de água nos bairros . Segundo Augusto, Jacobina ainda conta com as águas da Barragem de Cachoeira Grande, a maior do município, com capacidade de 5.000.000 de metros cúbicos  e que, segundo o gerente, ainda não enfrenta problemas com a estiagem da região, mas a questão  é que a vasão da barragem chega no máximo a 40 litros por segundo, não podendo ser ampliada por causa da tubulação, e mesmo assim ela já é responsável pelo abastecimento de água dos bairros do Leader , Bananeira, Caixa D'água, Félix Tomaz, Missão, Caeira, Inocoop e parte da Serrinha e Grotinha.  Augusto faz um alerta a toda a população do município. É preciso que todos se conscientizem neste momento crítico e que o uso da  água potável tem que ser feito de forma racional e consciente. É preciso evitar ao máximo o desperdício. Hábitos comuns como lavar calçadas e carros com mangueira, deixar a torneira aberta enquanto lava pratos ou aquele banho demorado devem ser evitados ao máximo. Torneiras ou conexões com vazamento também são problemas que devem ser corrigidos com urgência, até mesmo para o bem do bolso dos consumidores. Uma torneira pingando por exemplo, desperdiça cerca de 50 litros de água potável por dia, Jacobina conta hoje com cerca de 18.000 pontos de ligação e é preciso que todos se conscientizem da gravidade da situação. Se cada um fizer sua parte o município pode conseguir atravessar este período de estiagem até que as chuvas cheguem. Caso contrário o colapso no abastecimento de água do município será um fato inevitável.

  Bahia Acontece.

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