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Ricardo Eletro

Fusca transparente faz sucesso nas ruas de Aracaju e nas redes sociais

"Soube que fiquei famoso na internet, até na Rússia me viram", diz Déda.
Proprietário garante que modelo artesanal é único existente no Brasil.


Seu Déda exibe todo orgulhoso a criação do seu sobrinho que demorou 1,5 ano para ficar pronta (Foto: Marina Fontenele/G1 SE) 
Seu Déda exibe todo orgulhoso a criação do sobrinho, que demorou 1,6 ano para ser concluída (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)
Do Fusca prata ano 1967 restam apenas os eixos dianteiro e traseiro. No lugar da lataria, uma grade amarela feita de vergalhão e moldada por um sonho. O ‘Fusca transparente’, o Ximbica, tem chamado atenção pelas ruas de Aracaju, em Sergipe.
Na cor do verão, o carro combina com a estação predominante no Nordeste. Nele dá até para atualizar o bronze e sentir o vento no rosto com o ar-condicionado natural. Além de ser facilmente notado, o Ximbica pode ver com olhos feitos de penicos e até cuspir através de uma boca cheia de dentes.
O empresário Álvaro Wellington Fraga Déda, 74 anos, comprou o veículo há três meses. Junto com a aquisição ele herdou uma missão: levar alegria. O sobrinho dele, o engenheiro mecânico Júlio César Déda Pacheco, passou um ano para fazer a customização do carro que foi utilizado em festas culturais do município de Caruaru, no interior de Pernambuco, durante seis anos.
“Meu sobrinho era apaixonado pelo Fusca e resolveu homenagear o fim da fabricação do modelo. Ele se caracterizava de Papai Noel, Cangaceiro, Papa e carnavalesco e animava o pessoal da cidade. É como se fosse um carro alegórico e eu recebi a missão de perpetuar o que ele fazia”, afirma Wellington Déda.
Júlio César Déda Pacheco, o engenheiro mecânico que fez o fusca transparente (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal) 
Júlio César Déda Pacheco, engenheiro mecânico
que refez fusca (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Toda vez que sai às ruas no Ximbica, o empresário se emociona pela lembrança do sobrinho que morreu no dia 4 de setembro deste ano vítima de um latrocínio. O engenheiro mecânico estava se preparando para voltar a Sergipe, pois nasceu em Simão Dias, a 100 km da capital sergipana.
“Júlio estava querendo se desfazer do carro para conseguir dinheiro e vir morar em Aracaju, cidade que ele sempre amou. Ele estava só esperando sair a aposentadoria dele do Exército, mas morreu dias antes disso, após reagir a um assalto”, lembra.
Natal solidário
A ideia de homenagear o folclórico engenheiro mecânico reforçou no senhor de 74 anos a vontade de ajudar. O empresário está promovendo uma campanha natalina para doação de presentes para crianças de uma comunidade carente. Junto com os amigos ele pretende arrecadar cerca de 500 brinquedos.
“Quando passo pelas pessoas e elas sinalizam, dão tchau, buzinam, eu choro de alegria. Espero que meus filhos levem adiante esse ensinamento do meu sobrinho de levar emoções boas adiante”, revela Déda.
Por onde passa, o Ximbica atrai os olhares (Foto: Marina Fontenele/G1 SE) 
Por onde passa, Ximbica atrai olhares curiosos de pedestres e condutores (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)
Curiosidade
Uma foto do Fusca inusitado no meio do trânsito da capital sergipana ganhou destaque nas redes sociais e no primeiro dia chegou a ter 34 mil curtidas no Facebook, segundo Déda. Essa ‘fama’ despertou a curiosidade e abriu caminhos para o proprietário, que após várias tentativas conseguiu uma autorização provisória do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para circular em Aracaju.
“Disseram que eu estava famoso no Facebook, até um homem que mora na Rússia viu o Ximbica. O pessoal achava que era uma miniatura, mas é um carro comum e leva cinco passageiros”, conta Déda. Ele já recebeu proposta para transportar o Papai Noel e até noivas e foi convidado para circular em datas festivas como Pré-Caju, carnaval e festas juninas.
Fusca transparente tem olhos feitos de penico e boca que esguicha água (Foto: Marina Fontenele/G1 SE) 
Fusca transparente tem olhos feitos de penico e boca que esguicha água (Foto: Marina Fontenele/G1 SE)
Autorização para circular
O carro de fabricação artesanal não tem especificação própria no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), por isso ainda não foi possível emplacar o veículo que teve quase toda a estrutura modificada e perdeu, inclusive, a numeração do chassi.
Quando passo pelas pessoas e elas sinalizam, dão tchau ou buzinam eu choro de alegria"
Wellington Déda
Um dos sonhos de Wellington Déda é chegar ao programa de Luciano Huck na Rede Globo. Ele acredita que esse encontro facilitaria a licença definitiva para a circulação do veículo, além da ajuda de custo para manutenção, pois a cada seis meses é necessário refazer a pintura da grade.
O empresário encaminhou um ofício para o Detran doando simbolicamente o Ximbica para a cidade. “Sinto uma alegria muito grande em poder dirigir esse carro e ao mesmo tempo a tristeza por lembrar a perda de um ente querido que amava Aracaju”, finaliza.

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